27.10.08

viver preso no sistema ou desafiar as leis da logica social?

Devemos todos ter um bom emprego, um carro, uma mulher/marido e um par de filhos pa sermos bem vistos pela sociedade...foooooda-se nao me venham com tretas! Eu nao tenho nada disso e sou feliz...até uma pessoa com metade de um cérebro e 5 minutos pa pensar chegava a essa conclusão! O objectivo da vida...qual é ele afinal?? Qual é o objectivo da vida? Naturalmente, ser feliz. Agora, porque nos deveremos limitar aquilo que os outros pensam e julgam para sermos felizes? E ainda segundo aquilo que eles, e a sociedade que lhes fez uma lavagem ao cerebro, acham que está certo? Não pá! A vida é curta! E se há uma coisa que eu definitivamente não quero, é chegar ao fim da minha linha, olhar para trás pelo ombro e dizer que não fiz aquilo que me apeteceu, que achei de devia fazer ou que me fazia feliz e me deixava intrigado e curioso só porque meia dúzia de ursos intelectuais achou que isso deveria estar errado e eu tive medo de discordar deles. Afinal quem são eles pa decidir por mim o que está certo ou errado? Se assim fosse, nem o homem tinha chegado à lua, nem teriamos hoje avioes para viajar de um país para outro. "-Onde vais Zé?"..."-Vo construir um avião."..."- um avião?Axas? Tás parvo? hahahaha.. Inda matas paí alguem pá!Anda mazé dar de comer os porcos vá!!!"...E pronto nem havia avioes, nem o Armstrong tinha ido meter a pata na lua!
A verdade é que a vida é curta de mais(mais do que realmente pensamos) para não fazermos aquilo que gostamos, ou termos medo do fazer devido aos juizos de terceiros. Eu não sei aquilo que vos estimula(pelo menos assim numa abordagem mais específica), mas posso receitar-vos um exercício que vos vai fazer pensar no meu ponto de vista. Ora, façam o seguinte:

1. sentem-se no vosso sofá ou noutro sítio em que se sintam completamente relaxados e confortáveis;

2. metam a tocar o "MOONLIGHT SONATA" de Bethoveen ou outra música que vos deixe num estado de nirvana.

3. agora imaginem que estão a voar sobre um campo de flores amarelas numa terra muito distante.

4. a seguir, imaginem que estão ao pé de um lago com água transparente e morna.

5. agora quando vocês estão quase a molhar o pé naquela água apetitosa e calminha, do nada, aparece-vos o vosso chefe à vossa frente e diz-vos que devem ir imediatamente trabalhar e nem por sombras deverão pisar aquela água prazerosa ou serão despedidos. Melhor ainda, imaginem que estão mesmo quase a atirar-se para dentro da água e à beira de terem a melhor experiência da vossa vida, quando, de repente...aparece o senhor José Sócrates a relembrar-vos que deverão pagar um imposto de 2000euros antes de entrarem naquele belo lago.

6. agora imaginem que pedem gentilmente ao senhor Sócrates para sair da vossa imaginação e do vosso belo sonho, mas que ele não está disposto a fazê-lo antes de lhe pagarem os 2000euros.

7. vocês insistem e o senhor Sócrates não sai do vosso sonho e chama o CI, a PSP e a GNR para vos levar presos.

8. já imaginaram? imaginem tudo tal como vos disse.









já tá?



...agora pensem...lembram-se como se sentiram quando o Sócrates vos pediu dinheiro por vocês estarem num belo lugar(que nem sequer era público, era vosso e tinham mais do que o direito de lá estar)? lembram-se de como se sentiram?Essa é a forma que se deveriam sentir quando alguém vos diz o que fazer ou que fazer algo que vocês querem muito não está certo. Não me percebam da forma errada e peguem numa arma e desatem a matar pessoas só porque vos apetece. Tampouco quero dizer que os pais não deviam castigar os seus fihos ou que os deviam deixar fazer tudo, pois acho muito bem que os castiguem e lhes imponham restrições. Provavelmente deveriam disciplinar ainda mais os seus filhos de modo a controlar os actos violentos de gerações futuras. Controlo e disciplina não só são necessários como são indispensáveis. Agora...a mensagem que vos pretendo passar é que devido aquilo que outros pensam, nós não fazemos aquilo que pensamos ou queremos muito fazer. Por exemplo:
- se alguém nos diz para não andarmos à chuva porque nos molhamos e depois ficamos constipados, mas nós temos uma vontade muito grande de andar à chuva, acredito que essa pessoa tenha as melhores intenções, mas também acredito que não lhe devemos de forma alguma obedecer. Apenas tomar em consideração o seu avizo. Se ainda tivermos aquela vontade extraordinaria de andar à chuva deverá ser isso que devemos fazer! Mas sempre prontos para estar de cama no dia seguinte e acarretar as responsabilidades derivadas do nosso acto =) .
Atenção! mais uma vez, isto é um exemplo, e quando me refiro a andar à chuva, refiro-me da mesma forma a fazer uma viagem a outro país ou a fazer algo que não é considerado normal pela sociedade(como viver a vida de um modo mais existencial,NAO!NAO ME REFIRO A SER PADRE! e pensar nas coisas de outra forma). Vá lá pessoal a vida é curta! e não devemos subestimar o nosso poder para sonhar e realizar os nossos sonhos, pois afinal de contas a vida não passa de um sonho e aquilo que é dito como real pode bem não ser como pensamos segundo os mais modernos avanços da física quântica.

Contra todas as expectativas e olhares moribundos, eu, "The Eye" vou partir na próxima semana de viagem para Paris. É algo que já quero há muito tempo e finalmente, apesar de estar sempre muito ocupado com o trabalho e estudos etc, decidi que estava na hora de parar o tempo e fazer aquilo que me apetecia. Que se foda o tempo! Quando morrer ele não se vai lembrar de mim e voltar para trás, por isso porque hei-de eu de lhe ligar alguma enquanto sou vivo? É o mesmo que ter um(a) namorada(o) que sabemos que nos vai trair e continuar a confiar no animal. 'Fuck them main' hehehe =)

Pensem bem pessoal, o que será melhor? Continuar a dar ouvidos ao sistema e a ter medo dos castigos morais e "olhares moribundos" e não viver os nossos sonhos enquanto estamos vivos? Ou investir na nossa realização pessoal e dar asas aos nossos sonhos e fantasias enquanto apertamos a mão ao tempo e lhe damos 10 minutos para ele se sentar calmamente a beber um refrigerante?
A resposta é simples...mas essa não sou eu que vos vou dar...ela está dentro de cada um de vós e daquilo que aspiram ser ou concretizar, ela está nas estrelas e na chuva de Outono. Está nas nuvens brancas e no sorriso daqueles que vocês gostam. Tá na música e está acima de tudo naquela pequena criança que um dia nasceu, deu um orgulho do tamanho de um iceberg aos seus pais e decidiu que iria conquistar meio mundo, ou talvez dois, mas que com o passar do tempo foi vendo os seus sonhos serem assassinados por uma sociedade fria e conformista.



NOTA: Eu não tenho nada contra o senhor Sócrates ou alguma das outras entidades acima referidas, apenas penso que as regras por alguns impostas impedem outros de acreditarem em si mesmos ou de sonharem mais alto. Não me refiro apenas ao governo e às forças de segurança e legislativas, aliás o alvo da minha questão nem são estes pois penso que forças de segurança estão débeis de mais e deviam ser claramente reforçadas. O alvo da minha questão é acima de tudo a sociedade e o chamado "senso comum" que é claramente o culpado da "prisão mental" e "lavagens cerebrais" a 99% da população viva neste momento.


"Largue-se e você será muito mais do que jamais sonhou ser. " [ Janis Joplin ]

13.10.08

Sonho

Onde estás tu ser misterioso?
"-Onde só tu me podes ver..."
Desculpa lá ser curioso
Mas tenho de perceber!
"-Diz lá então que desejas saber?"
Tudo! Quero saber tudo!
Quem és? Que gostas de fazer?
Onde paras? Diz-me que eu escuto!
"-Sou apenas aquilo que tu queres que eu seja"
A sério?...
Eu quero um palácio, terras sem fronteira
Um império!
"-Então apanha-me de alguma maneira,
Que enquanto eu for vivo,
Hás-de sempre ter um motivo
Para querer brincadeira!"

E diz a criança:
"-Como te chamas? Queres brincar comigo? =) "
Diz então o sonhador:
"Olha...espera aí um pouco que te quero limpar uma coisa que tens aí na camisa..."
Por sua vez diz o velho:
"-Essa cara não me é estranha... Parece que te conheço de algum lado..."
Então diz o morto:
"-Quem és tu ser estranho? Que não te conheço de lado nenhum!"

11.10.08

Um paradoxo de perder a cabeça

Sobre trovões e relâmpagos, caminhava lentamente assobiando uma melodia quase hipnotizante. Rodopiando seu guarda-chuva, parecia distante de mais para se quer se preocupar com alguma coisa. Era ainda o primeiro de Outubro e as folhas caiam das árvores chicoteadas pelo vento frio e rabugento.


A noite aproximava-se veloz e sorrateira camuflada no espesso nevoeiro que se fazia sentir na enorme velha vila.


De barba longa e bata castanha, só parava de caminhar para limpar as embaciadas lentes de seus óculos redondos. Podia mesmo assobiar durante horas a mesma velha e hipnótica melodia, que transmitia uma sensação de paz interior e calma erudita.


Se ao assobiar tal melodia flutuava sobre as grandes montanhas da Nova Zelândia, o mesmo não aconteceu ao ouvir o oco badalar do relógio da igreja. Sua expressão alegre e descontraída, morria com cada badalada e ao sexto oco toque sua cara não apresentava já quaisqueres sinais de vida. Narinas dilatadas, palitos nos olhos e boca aberta, correu para casa como um louco corre para a desgraça.


"-Já chegou! Já chegou!", dizia com lágrimas no canto dos olhos e enrolado sobre si mesmo num canto da sua pequena casa húmida. Ela era assídua e aparecia sempre na forma de um vazio avassalador.

"-Que queres Zé? Deixa-me!"

"-Buaaaaahahaa! Quero que me cortes em três pedaços..."

"-Não!! Deixa-me em paz! Aaaaaaarrrrggghhrrrgrh", gritava puxando os longos cabelos.

Pontual e escondida no ventre da noite ela sempre voltava.

Xico sofria de Síndrome de Dupla Personalidade, o qual se agravava com a chegada do escuro da noite. Seu irmão era um indivíduo bem aparentado e licenciado em economia. Era ele que cuidava de Xico desde os seus 5 anos, altura em que os seus pais foram brutalmente assasinados na igreja da vila por um sociopata com uma pá. Quando a patologia de Xico não dava sinais de melhorias, seu irmão fazia uso do seu estatuto de Presidente da Câmara Municipal para se ausentarem juntos numas férias relaxantes ao Serro do Alguidar.

As semanas passavam e não havia sinais de melhoria de Xico. Este tornava-se mais e mais violento, agressivo e ansioso com o passar dos dias, das horas, minutos e segundos.
1.º de Dezembro de 1804:
Vindos da velha casa dos irmãos Conceição, Xico e Zé, três tiros se ouviram...e se os tiros se ouviram, já das facadas e cortes silenciosos não se pode dizer o mesmo. Os vizinhos não se atreveram a entrar lá em casa, mas o valente xerife contactado pelo povoamento teve a coragem de um leão e a astúcia de uma raposa quando subiu silenciosamente as escadas, pé-ante-pé, conduzido por sua arma, que lhe indicava a direção a tomar. Caminhou então lentamente e de palitos nos olhos até à fechadura do quarto para averiguar aquilo que se passara. De olho encostado à fechadura e chapéu na mão, gritou alto e gemendo de dor, alucinado pela desconfortável sensação de sangue a escorrer-lhe pela rugosa face abaixo.
Lá fora todos aguardavam petrificados com os gritos vindos do andar de cima da pequena casa. Dizia a vizinha Joaquina para o ti Manel dos alforges:
"-Esta gentinha maluca ainda nos há-de mat", quando intrerrompida por um grande estrondo da porta da frente da casa pequena, sai Zé de faca na mão e cabeça na outra, rindo à gargalhada e repetindo convictamente:
"-Ela só chegou agora porque teve guardada no armário, guardada no armário, debaixo da cama que nem uma leoa". Xico, agora de barba longa e bata castanha-ensanguentada, perdera realmente a cabeça e matara seu irmão Zé.

10.10.08

Isidro procura trabalho

Era uma bela manhã de primavera, em que chuvia muito e os relâmpagos matavam as ovelhas, quando Isidro decidiu sair de casa para esticar as pernas, e mais importante, para procurar emprego.
Foi então até casa do Senhor Perdigão e pediu calmamente:
-“Senhor Perdigão, ou me dá trabalho ou farei uso deste pequeno bastão de meio metro que trago algures nas minhas costas.”, ao que o Senhor Perdigão decidiu responder com uns tiros de metralhadora.
Seguindo o seu caminho, Isidro dirige-se à fábrica de nicotina de Fambide e anuncia que esta faliu de modo a irritar Fambide e rir-se um pouco à sua custa. Fambide não acha muita piada e imediatamente começa a chorar. Isidro ri-se e sacode um pouco de pó que tinha no ombro. Logo de seguida decide remediar a situação e rapidamente coloca a fábrica novamente de pé. Fambide agradece, ao que Isidro tem a generosidade de responder:
“-Não tens de me agradecer nobre Fambide! Eu, o generoso e caloroso Isidro darte-ei emprego e poderás a partir de agora ter um emprego decente!”
“-Mas eu detinha cerca de 90% das acções da fábrica e era o presidente…”
“-Claro amigo Fambide!”, diz Isidro,”-mas agora poderás escovar o dorso daquelas belas vacas que moem a nicotina e ainda poderás lavar o chão todos os dias que eu me apetecer!”
“-Ah…obrigado Isidro, tu és um burro muito bom.”
“-Eu sei Fambide! Eu sei! E como prova da minha honestidade e palavra, deixarte-ei ficar com 1% das acções!”
“-Mas eu tinha 90% das acções!”, assinala Fambide e ao que Isidro responde convictamente:
“-Pois é meu caro Fambide, mas não sei se estás a par dos novos avanços na área da álgebra. Dizem eles, que 1% é o dobro de 90%!!”
“-Hum…”, geme pensativo Fambide, “-Está bem Isidro, obrigado.”
-“Claro, sempre às ordens, aparece amanhã às oito horas e pronto para trabalhar!”
E assim Isidro conseguiu o seu primeiro trabalho.